Recado aos alagoanos

REGATIANO, AZULINO, ALVINEGRO, ou torcedor de qualquer outro time das Alagoas, valorize o futebol da sua terra! VOCÊ TEM TIME PRA TORCER!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Vexame, paixão e baixa auto-estima

Crônica
Trapichão parcialmente interditado. Mas para receber torcedores do Corinthians e Santa Cruz — promessa de renda boa(!) —, libera! E não se ouve, lê ou vê quase ninguém, ou ninguém mesmo, comentar o surpreendente, perigoso e injustificável fato. Mas explicável. E a explicação, que não precisa ser dita, tem o condão de conseguir calar a todos, ou a quase todos.

Torcedores pernambucanos comparecem em número considerável ao quase todo liberado (para aquele jogo) Trapichão, talvez semelhante à quantidade de torcedores da terra. Resultado: ênfase, destaque estratosférico e enaltecedor à invasão pernambucana. Torcedores alagoanos comparecem em excelente número no estádio do vizinho estado. Resultado: quase silêncio. Um ou outro gato pingado, quase numa voz monocórdia, exalta o feito.

Comissão técnica incompetente — desculpem, mas não conhecer o regulamento de uma competição que se disputa é de uma incompetência tão grande que chega a ser inacreditável — promove dois vexames, um deles histórico. O primeiro é a “cera” escancarada, ridícula, exagerada, buscando-se, na esteira da informação equivocada de que um empate bastaria à classificação, garantir aquele resultado. Aliás, quanto a esse procedimento (o goleiro, diz-se, chegou a cair no gramado umas quatro vezes, sentindo nada em canto nenhum), não sei se a orientação veio apenas do comandante, se é que foi dele. O segundo é a comemoração, após o empate, como se classificado estivesse. Este, um vexame histórico. Gravado e televisionado. Uma autêntica tragicomédia, promovida pela incompetência, que já é de praxe, diga-se, por estas bandas.

A baixa auto-estima é porque nosso futebol, pobre e amadoramente dirigido como ele só — salvo raras e conhecidas exceções —, continua a receber maus-tratos de tudo e de todos. Nossos clubes mais tradicionais podem se acabar, porque sempre teremos o outro, do eixo Rio-São Paulo pra torcer. Outro, diga-se, que para muitos — certamente já a maioria — sequer é mais o “outro”: é o primeiro, o do coração. O da terra ocupa o 2º lugar. E a imprensa, igualmente, sobreviverá, porque não falta destaque a esses clubes enaltecendo-os, nem torcedores desses clubes entre seus membros. E defensores de que seja assim mesmo, em nome de uma tão falsa quanto nefasta tese de que todos são livres para torcer pelo time que quiserem. Parte-se de uma premissa verdadeira, para concluir-se falsamente.

É evidente que todos são livres para torcer pelos times do Rio ou de São Paulo. Mas isto não significa que seja bom para o futebol alagoano que seja assim. Isto não significa que seja educativo, que confira auto-estima e noção de cidadania aos alagoanos. Somos todos estados de um mesmo país, mas com sua história, sua cultura, seus clubes, suas paixões próprios. A paixão pelos times de fora do estado invariavelmente é perniciosa aos clubes da terra. Quem tem um, não tem nenhum. Daí que a luta por este é fundamental, condição à sua sobrevivência. Quem tem dois, terá ao menos um. Senão para ir aos estádios, ao menos para ir ao bar mal e porcamente fantasiado de estádio. O da terra? O da terra que se lasque... Não presta mesmo... Tá vendo, aí? Sem futebol até o fim do ano na capital. Ainda bem que tenho meu isso, meu aquilo, lá do Rio ou de São Paulo. Aliás, já tem camisa nova naquela loja! Pôxa! Que legal!
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Também postado no sítio Futebolalagoano.com

Um comentário:

Frederico disse...

Eita saudades da terrinha. Abraço, André.